FTX planeja “começar do zero” com nova empresa offshore, mas ignora holders de FTT

Nova gestão da exchange busca superar falência, mas desagrada antigos investidores

A FTX, ainda na tentativa de se reerguer após sua falência, apresentou um projeto de reestruturação centrado na formação de uma nova entidade offshore. A nova proposta, anunciada ontem, dia 31 de julho, veio em meio a uma série de problemas financeiros e regulatórios, e traçou a estratégia da FTX para lidar com os diferentes casos existentes entre os clientes afetados pela sua falência.

O principal objetivo do plano é resolver a complexa situação em que a FTX e seus clientes se encontram. De acordo com o novo CEO da exchange, os esforços para reiniciar a empresa já estavam em andamento desde janeiro, com a revisão e finalização dos materiais para “FTX 2.0”.

Como o novo plano afeta os clientes e investidores da FTX?

O plano atual consiste em organizar seus antigos clientes em grupos, cada um com diferentes medidas a serem tomadas. Eles foram divididos entre os clientes globais, ou os “’Dotcom customers” (usuários da antiga plataforma FTX.com) e os “U.S. customers”, os usuários situados nos Estados Unidos. O intuito dessa divisão é para que seja possível estabelecer uma nova exchange offshore para atender aos clientes globais da FTX.com, excluindo desse conjunto de medidas os investidores dos EUA, cujo mercado, que é altamente regulado, impediria a transição.

Cada um dos “dotcom customers” receberá uma parcela proporcional dos ativos associados à sua antiga conta na FTX.com, que será definida após deduções de despesas, além de alocações proporcionalmente maiores para uma parte seleta do grupo, composta por indivíduos e entidades de maior relevância institucional. Todos os antigos clientes podem optar por possuir ações, tokens ou outros interesses na nova entidade offshore. Uma alternativa seria aderir a uma fusão ou transação similar. No que diz respeito às pendências de não clientes, como multas relacionadas a penalidades regulatórias e impostos, elas serão desconsideradas.

No entanto, o principal grupo afetado pelo plano é o dos holders do token FTT, a moeda nativa da FTX. A proposta determina que todas as reivindicações desses portadores sejam canceladas, e novas solicitações encerradas. Segundo o documento, “reivindicações de portadores de FTT (seja ou não mantido em qualquer exchange FTX), ações preferenciais, investidores de capital nos devedores e reivindicações relacionadas serão canceladas e extintas a partir da data efetiva, e os detentores não receberão qualquer distribuição”. 

Curiosamente, mesmo com essa decisão, o token ainda obteve uma valorização de 8,46% nas últimas 24 horas, após uma alta inicial de 21%. A moeda atingiu o pico de $1.64 antes de recuar para $1.37 na hora da redação deste artigo.

O desenrolar desse plano representa um marco na indústria das criptomoedas. A empresa entrou em falência depois de descobrir um déficit significativo em suas contas bancárias de fiat e carteiras de ativos digitais, totalizando $2.2 bilhões, e caso consiga se reerguer, sua história será um testemunho de como uma grande empresa cripto pode se reerguer após uma crise financeira.

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